O monopólio das “minorias”
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba em 14 de dezembro de 2011
A onda do presente é a dos famigerados discursos das “minorias”, tecnicamente definidas como grupos de sofredores e excluídos, que recebem injúrias e indiferença por parte da “maioria”, segundo estes alienada e de moral impositiva. São as pessoas incluídas nestes segmentos que, motivadas por agentes políticos engajados em partidos e geralmente em associações do terceiro setor, a se unirem em organizações reivindicatórias, mobilizam a sociedade em torno de suas queixas. Assim o fazem os movimentos em prol da legalização da maconha, da descriminalização do aborto, da defesa dos direitos de homossexuais, dos sem-terra, dos ambientalistas e demais frontarias.
Certamente a organização livre e ponderada de cidadãos empenhados numa causa de valor social não só é legitima no Estado de Direito, como também é capital na promoção de autêntica justiça. O problema é como esses movimentos têm tido mais ascensão e vultosos privilégios nos ambientes públicos (seja pela ação de deputados e ministros, seja pelos apelos sistemáticos de órgãos jornalísticos), em detrimento de outras instituições e representações sociais, parcial ou totalmente afastadas dos lugares de discussão, ou ao menos não levadas a sério nas suas posições e críticas. Políticos, intelectuais, professores universitários e pseudo-artistas estão engajados em pichar e repudiar os julgamentos das religiões e das entidades defensoras do conservadorismo a respeito das ações dessas “minorias” no cenário nacional.
Os membros ativos desses grupos permitem que os movimentos ao qual representam se filiem aos interesses majoritários de uma determinada frente política (na conjuntura atual, o PT e aliados), de modo a contribuírem com seus propósitos de poder, ao mesmo tempo garantindo as prerrogativas de sua pauta ideológica, conforme aquilo que almejam para seus beneficiados e não necessariamente para o bem do povo. Os ativistas políticos, percebendo que não poderiam moldar a sociedade segundo suas pretensões se não houvesse uma “revolução cultural”, com a derrubada dos valores tradicionais, se associaram às “minorias” na intenção velada de conseguirem pressionar a opinião popular a abrir mão progressivamente das suas raízes e aceitar as mudanças forçadas de maneira natural e totalmente passiva. Isso se faz mediante algumas estratégias contínuas:
1) Deturpação crescente do vocabulário ao usar enfaticamente, e sem o mínimo apuro de significado, palavras como “preconceito”, “discriminação”, “homofobia”, de modo a confundir as pessoas e persuadi-las de que a verdadeira e única acepção de tais nomes são aquelas designadas pelos grupos acima citados;
2) Insinuação, com apelos propagandísticos unilaterais, que todo aquele que se puser contrário ao discurso vigente das “minorias”é quase criminoso, e por isso precisa ser execrado do debate público, sem ao menos uma chance de expor as razões de divergência. Isso se deu muito a respeito daqueles que se puseram contra as cotas raciais, e hoje isso se repete em relação aos questionadores do movimento gay;
3) Ocultamento e manipulação engenhosa de dados e fatos, noticiados sempre com parcialidade e de forma superficial, sem verificação de confiabilidade de fontes e com forte inclinação interpretativa em favor desses grupos, hoje amparados pelo aparelho midiático e por investidores de grande porte econômico. Outrossim, eventos sociais promovidos para divulgar suas idéias são amplamente mostrados e elogiados pelos comunicadores, sem nenhum tipo de contestação.
Se confrarias políticas ocupam praticamente todos os meios de comunicação e espaços culturais, e suas reclamações têm sido prontamente acolhidas e invioladas, é prudente questionar: onde estão as lideranças antagônicas desta situação? Estão impedidos de falar ou se omitiram diante do poder adversário? São relegados ao esquecimento por forças dominantes ou se venderam barato a conveniências diplomáticas vergonhosas? Serão mártires ou traidores?
Uma democracia saudável e verdadeiramente legítima permite o confronto de apreciações sobre todos os assuntos que se colocam em pauta dos interesses públicos, sem qualquer tipo de restrição prévia. O conflito gerado pela heterogeneidade, cada qual na defesa de uma perspectiva unívoca, é a base da constituição dos fundamentos isonômico e isegórico, e nenhum dos atores sociais tem sobressalência sobre os demais, a ponto de fazer calar a voz opositora sem nem permitir a sua clamação.

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