Terra de Ninguém!
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 18 de agosto de 2011
O Brasil na última década (e qualquer aproximação com o governo petista não é mera coincidência) tem sido a verdadeira terra das oportunidades. Desqualificado, porém, do otimismo empreendedor que essa afirmação acarretou na América do Norte, a oportunidade neste país está mais para oportunismo imoral e pedante de camadas sociais e lideranças partidárias. Essa é uma terra excelente para corruptos, pilantras, assassinos, criminosos de toda a estirpe, guias autoritários e funestos, menos para a população brasileira, cativa de uma série de mobilizações ideológicas totalmente avessas dos seus anseios e empenhos.
Acontecimentos recentes e estratagemas constantes para ludibriar e envolver completamente as inteligências em uma névoa de obscurantismo e inércia, são ostentados pela grande mídia como avanços exorbitantes do exercício da democracia no país, sendo que, na realidade, os agentes democráticos estão na jogada apenas como massa de manobra para os artífices de uma ordem fatal, pronta a exterminar sem nenhuma piedade os valores estruturadores da sociedade. Não se trata de um conflito saudável, com ampla adesão de todas as representações populares, num processo longo e seriado de argumentação e objeções: trata-se de um conúbio belicoso, cultivado por líderes celerados e arrogantes, emissários de suas próprias idealizações, pouco ou nada preocupados na legitimação ética de suas teses, mas determinados a fazer de todos na sociedade seus adeptos mais devotados. Está claro, ao observar com cautela a sequência vexatória de medidas governamentais e judiciárias, bem como as investidas maciças e de algum modo conjuntas de militantes de grupos segmentários (LGBT, pró-maconha e demais), que o cerco se fecha cada vez mais contra os interesses da nação, apartada das decisões não é de hoje.
Só para recordar as situações ilustrativas desse novo período do país, intencionalmente traçado e mantido:
1) Imposições seqüenciais dos ministros do Supremo Tribunal Federal (união homoafetiva, negativa da extradição do assassino Cesare Battisti), contra a ordem, a preservação da integridade moral e a legalidade do Poder Legislativo levar à pauta assuntos da sua competência, além da prévia necessária numa democracia com a população e suas representações mais atuantes. Sobre isso, Percival Puggina chamou de o “AI-5 do STF” a tomada de decisões que caberiam ao Congresso Nacional, cuja prerrogativa é deliberar e legislar sobre matérias de interesse geral. Vale a pena reproduzir a conclusão do artigo de Puggina, publicado pelo Diário no dia 28 de maio: “O Poder Legislativo foi sorvido pelo Supremo, onde onze pessoas extraem tudo o que querem de meia dúzia de artigos da Constituição. O resto é letra morta, palavra ao vento, sem valor normativo. Deixaram os ministros de ser guardiões para se converterem em donos da Lei Maior. Assim como Geisel concebeu a ‘democracia relativa’ (relativa à sua vontade), o STF inventou a relativização da Constituição (relativizada ao desejo de seus ministros). (...) Foi escancarada a porta para o totalitarismo jurídico.”;
2) Tentativas persistentes de limitar a liberdade de expressão e ação das religiões para favorecer uma legislação parcial e elitista, cedendo privilégios a grupos afins aos planos governistas de depredar a moral tradicional, sustentada pela população. Um dos casos que fica explícita essa retaliação da participação pública das lideranças religiosas á a sucessão de investidas do movimento gay e dos defensores da descriminalização da maconha para mudar a mente e os costumes da sociedade brasileira, com amplo apoio dos partidos políticos, sobretudo da esquerda radical, e da mídia nacional, sem o mínimo de cobertura “democrática” dos abusos desrespeitos para com a fé e das manifestações contrárias aos desmandos do STF, como o ocorrido na Marcha para Jesus, cujo temário girou em torno do monopólio das decisões sedimentadas na interpretação falaciosa e maledicente da Constituição da República;
3) Apoio e abrigo a criminosos e revolucionários. Cesare Battisti é caso notório, mas a omissão em coibir crimes e falcatruas com maior rigor e severidade acentua ainda mais a exaustão dos mecanismos de justiça do país, ocasionada em grande medida pela falha de caráter dos seus mentores e designados, juntamente com a precariedade dos instrumentos legais de coerção e punição eficaz dos crimes.
Figurativamente, o Brasil assemelha-se a um salão onde se toca a música que somente agrada aos anfitriões, nunca os convidados. Essa é a verdadeira terra de ninguém, onde manda quem arbitrariamente pode e obedece quem foi perdendo o juízo.

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