Este blog, criado e dirigido pelo professor Michel Farah Valverde, traz ideias, reflexões e demais informações referentes à filosofia, política, artes e educação. É destinado a todos os interessados, em especial aos jovens, estudantes ou não. Os textos publicados pelo autor podem ser usados, com a condição de que seja citada a fonte.







sábado, 23 de julho de 2011

Educação segundo Fernando Haddad


Publicado no Jornal Diário de Sorocaba em 16 de julho de 2011


Está veiculado na internet o conglomerado de erros e intrujices que o Ministério da Educação e Cultura e sua equipe vêm cometendo nos últimos meses. Tais “equívocos” incluem no pacote: distribuição de livros didáticos com falhas grosseiras nas definições (um rio que não existe passando por Maceió) e incentivo ao uso errado da língua portuguesa sob a alegação de se evitar “preconceito lingüístico”; livros de história com largos elogios ao governo Lula e avaliação negativa do antecessor, Fernando Henrique Cardoso; o kit anti-homofobia, proibido de ser utilizado pela presidente Dilma Rousseff que percebeu, sem dificuldade, a propaganda homossexual subentendida nos vídeos; a ineficiência do sistema de inscrição on-line para alunos bem pontuados no ENEM, o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e as isenções fiscais indevidas outorgadas à várias faculdades pelo Prouni. Por aí segue a lista de problemas repercutidos em sites nas semanas anteriores.


Por trás de tamanha falta de competência esconde-se uma estratégia propedêutica para a doutrinação política eficaz: desvirtuar o patrimônio cultural da população, induzindo-a a renegar seus conhecimentos identitários para assumir outros preceitos e ideais como seus. Fernando Haddad, ministro da deseducação, um socialista à moda fascista (ele sim o é, e não seus críticos) travestido de justiceiro e proficiente em matéria pedagógica, posa de bom moço apenas para olhares amortecidos e dopados pela manobra petista. Na verdade, seu único interesse é vender suas concepções educacionais tortas para convencer os estudantes e cidadãos de que não é preciso grande esforço quando o assunto é dedicação ao exercício congnoscente, nem que devem se preocupar muito com isso. O certo e o errado deixam de serem conceitos analíticos para simplesmente representarem o que é válido ou inválido ao governo e seus desígnios, não importando mais o critério do valoroso e necessário ao povo, a quem lhes caberia zelar com as melhores intenções. Eficiência no sistema educacional para quê, se os estudantes brasileiros permanecem nos últimos lugares nos testes internacionais? Investir em educação por qual motivo, se aprender se tornou obsoleto, e vale mais entender apenas o seu entorno do que os conhecimentos superiores? Assim me parece pensar o senhor Haddad: com desdém e menosprezo pelo saber.

Tomando um caso específico – o da polêmica em torno da língua portuguesa - quando falam de preconceito contra quem utiliza a língua de maneira deturpada, sou tentado a ponderar o contrário: não será maior preconceito privar as pessoas de falarem o português oficial (aquele que todos deveriam aprender, sem exclusão)? Não será melhor cativar as crianças e os jovens a falarem a língua portuguesa de acordo com a norma culta? Não se trata de depreciar o usuário pelos erros cometidos, ou variantes lingüísticas se preferirem, mas de poder alertá-lo para a diferença entre o uso vulgar do idioma, devido às aplicações não formais da estrutura da língua e do uso conferido à palavra, e sua configuração consensual e normativa da qual os usos diferenciados derivam, ou variam (pois se utilizando da gramática podem-se verificar falhas de concordância, regência e deslizes de ordem semântica e sintática). Os professores de português, mesmo diagnosticando os modos correntes de se falar em contextos dessemelhantes, supõem que a norma culta é providente e prioritária no ensino da língua. Já sobre o erro de matemática em livros de apoio curricular distribuídos – “10-7=4” – o comentário não pode variar: quanta burrice, Deus do céu!

Fernando Haddad prova a cada dia sua inaptidão crônica para administrar esse ministério. Agora, tenta salvar-se no cargo como garoto-propaganda para as elites esquerdistas tão incultas e fanáticas como ele. A educação a seu modo é o processo de anestesiamento da inteligência e aceitação apática de medidas imbecilizantes contra a população, da qual só deseja o voto e o apoio irrestrito. Não briga por melhoras e nem pela formação cultural do cidadão: induz ao comodismo e a heteronomia, tirando do indivíduo seu caráter de sujeito transcendental, que pode ir sempre além da sua situação-no-mundo, iniciativa para a qual a educação deveria impulsionar. Haddad não visa esse impulso, apenas quer manter os brasileiros no mar de mediocridade, bastante conveniente aos planos maquiavélicos dos “intelectuais” governistas.



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