Conceito e/ou Preconceito: confusões premeditadas
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 17 abril de 2011
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 17 abril de 2011
Ultimamente a palavra “preconceito” tem sido usada em excesso na mídia e nos eventos públicos de maneira irresponsável e redundante, para salvaguardar a visão propositalmente distorcida de grupos segmentários com intenções políticas bastante localizadas, nada de origem humanitária como fazem acreditar. Programas televisivos de entretenimento falam “contra todo tipo de preconceito”; jornalismo mostra com insistência casos de violência contra homossexuais (informações carecidas de detalhamentos e, portanto, suspeitas de conter inverdades no todo); movimentos sociais organizados acusando de preconceituosos membros da sociedade que pensem qualquer alternativa aos seus propósitos. Se uma averiguação apurada for feita, ainda outros apelos seriam diagnosticados, e suas forças conjuntas têm levado a enganos maléficos para o exercício livre da cidadania.
Já tematizei em esboço no artigo anterior escrito para o Diário (“Paradoxos (anti) democráticos”, edição de 10 de fevereiro de 2011) a empresa multilateral de certas frentes sociais, como o movimento gay, o feminismo e os defensores da descriminalização da maconha, em deturpar o significado do termo preconceito para fazer as pessoas acreditarem que, caso tenham posições intelectuais e morais divergentes dessas “minorias” (subsidiadas por organizações do terceiro setor e lideranças estatais influentes na conjuntura política brasileira e mundial) são crueis e desumanas, almas monstruosas cujo sentido de existir é atormentar os pobres coitados injustiçados, vítimas de discriminação. Não é de hoje que a estratégia é aplicada pelos esquerdistas radicais de plantão: perversão lingüística com a finalidade de confundir o receptor e incutir na sua mente a mensagem subliminar de acordo com suas conveniências. Todo aquele contrário às ideias propagadas por essa via são reacionários ou moralistas, preconceituosos e até criminosos. Em resumo, há um processo de aniquilação das oposições – fato compositor da essência da democracia – em favor dos mentores da nova ordem política e moral, da padronização cultural assentada nos pareceres das entidades interessadas na revolução total dos costumes e não na vontade da população em geral.
O termo preconceito, um dos motores dessa ludibriação da consciência, precisa ser comparado com o vocábulo embrionário “conceito” do qual deriva. Conceito, de modo geral, é a definição racional feita a partir da constatação avaliada das propriedades daquilo que se quer afirmar. Pre-conceito, por seu turno, é toda opinião não formada pelo labor racional, baseada apenas no senso comum e na preferência individual. Note bem: o preconceito é a sentença ou atitude movida pelo irracionalismo, e somente assim tomado é um mal. Dizer, por exemplo, a um homossexual que ele é inferior a um heterossexual é preconceito, mas propor uma postura de vida embasada em teses globais sobre o fenômeno humano não compatíveis com a prática do homossexualismo (a orientação e não a pessoa) não configura-se discurso preconceituoso. Condenar o usuário de drogas como desgraçado e mau caráter pelo simples fato do uso de entorpecentes pode caracterizar ato de preconceito para com a história singular de vida da pessoa, não obstante, o alerta de que as drogas são grave problema social cuja conseqüência atroz resulta na morte de muitos jovens ou ao menos os causa sérias debilitações, e por isso a sua legalização (seja maconha ou outras ainda piores) é perigosa e imoral, não é preconceito.
Há preconceito quando um comentário, direcionado a alguém, estende-se a todos da espécie ou do coletivo ao qual pertence, sem o devido esclarecimento e prova (falar que um religioso é fanático tem substancial dessemelhança de enunciar que todo religioso, por ser religioso, é fanático). Esse pré-julgamento precisa ser combatido, mas querer de todas as pessoas e instituições um pensar adestrado, comandado por cartilhas ditadas pelos segmentos badalados no cenário social, é acabar com a liberdade de pensamento, expressão e o direito à igualdade.
Não existe inocência na divulgação dessas concepções e reclamações. A intenção maior desses ideólogos e de suas parcerias em nível nacional e internacional consiste na implantação do projeto covarde e melindroso de destruição da herança cultural do ocidente, e as exigências de direitos exclusivos são etapas progressivas de sua execução. Ninguém fala no preconceito que os representantes destes movimentos têm para com as religiões, a família, as tradições e os conceitos mantidos e defendidos pela maioria dos cidadãos brasileiros. Não caro (a) leitor (a), isso nem passa pela consideração desses líderes preconceituosos!
Se o respeito à diferença é princípio constitucional, então deve prevalecer em todas as dimensões da sociedade indistintamente. Concordo com o protesto e a luta pela dignidade e convivência respeitosa, porém estas reivindicações não podem ocorrer por meio de recursos desonestos, maledicentes e parciais, claramente de uso político e cobiçoso para poucos “excluídos”.

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