O futuro do Brasil!
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 06 de novembro de 2010
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 06 de novembro de 2010
Mais um processo eleitoral chegou ao fim. Não há surpresa nos resultados: o PT permanece no poder, agora com Dilma Rousseff, e um bando de figurões que há anos roubam a cena na mídia continuará a dar as caras no Congresso Nacional, embora parte desses tenha sido eliminada do quadro de deputados e senadores. É hora de avaliar os fatos transcorridos em vista da compreensão profunda do significado de tudo o que foi vivido nestes meses de campanha, debates e polêmicas.
A responsabilidade social, manifestada pela ação do voto, parece que se diluiu em meio a promessas ufanistas e miraculosas (tradição dos políticos brasileiros) e intrigas planejadas com muito esmero, tanto do lado da petista como do tucano. Ambos, na verdade, representaram uma oposição ora acentuada, ora atenuada, mas no fundo basta analisar com cuidado para perceber que na base os dois projetos de governo são praticamente idênticos, mudando apenas em algumas estratégias específicas. O Brasil carece de uma discussão séria e contundente sobre política, coisa que não ocorreu neste ano, e uma crítica detalhista dos programas dos candidatos e de seus fundamentos ideológicos foi ausência bastante sentida nos comentários feitos.
Sobre a candidata eleita, Dilma Rousseff, não é de agora que se fala. Antes mesmo do anúncio oficial da sua candidatura à sucessão presidencial, vieram à tona informações pertinentes para o eleitor ponderar e presumir o caráter duvidoso e a proveniência delituosa dos tempos do famigerado regime militar, álibi conveniente na justificativa de atos de banditismo; contudo, haja vista o resultado do pleito, vê-se o êxito de Lula e sua “equipe” em deturpar a capacidade de julgamento racional dos cidadãos, dos quais a consciência e o senso de apreciação foram afanados em virtude da ilusão empreendida pela situação de mudança e melhora da condição de vida no Brasil.
A Sra. Dilma, além de insuficiente competência para ocupar o lugar de maior prestígio e magnitude do país, ainda está envolvida até o pescoço em iniciativas impróprias, vindas do seu passado nebuloso, e posicionamentos no mínimo inescrupulosos segundo os valores cultivados pelo povo brasileiro, algo já avisado antecipadamente (ver meu artigo “Lula, Dilma e seus companheiros” em www.daimonfilosofico.blogspot.com). Nenhuma obra ou ajuda filantrópica pode substituir os qualitativos necessários para qualquer bom governante, sobretudo os que dizem respeito à honestidade de conduta, exigência apartada da candidata eleita e de todos os altos comandantes do PT. O povo, ludibriado pela propaganda engenhosa e pequenos benefícios cuja eficácia em nada transforma radicalmente a sua situação de vida, sentiu-se impelido a prestar nova confiança na atual gestão, em nome da continuidade de um projeto pouco favorável à modificação da pessoa em âmbito integral – seja no aspecto econômico e político, seja no campo moral e cultural.
Apesar de eleita, Dilma não chegou à presidência com a facilidade esperada por Lula e o stablishment nacional. As pesquisas ressaltaram que a pretensa hegemonia petista está abalada e talvez precise se reciclar na esperança de permanecer no poder após 2014. Com isso, alianças e acordos indecorosos vão ocorrer, e mesmo sob a reprovação do eleitor, o governo empreenderá medidas contrárias à “vontade geral” (conceito do filósofo J. J. Rousseau para nomear a soberania popular como motor de viabilização política). A população, incluindo suas lideranças, não pode esmorecer diante de qualquer ditame autoritário que venha surgir no Planalto; deve, ao contrário, estar atenta e zelosa pelo bem comum e defesa dos bens fundamentais da sociedade brasileira.
A democracia não se esgota com o fim das eleições. O voto é ponto de partida de outra etapa do itinerário político do país, repleto de nuances e variações improváveis. Dilma não deve governar sozinha a partir de 2011, e sim conjuntamente ao povo, os maiores interessados nos rumos do Estado brasileiro. As instituições, como a Igreja – tão presente no contexto dos debates – precisam igualmente acompanhar com atenção e serem a voz da oposição quando necessário. Somente assim, com participação efetiva e constante, nossa maturidade democrática poderá enfim caminhar, mesmo sendo a passos lentos.

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