Breves comentários sobre o “maravilhoso” governo Lula ( II )
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 14 de janeiro de 2010
Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 14 de janeiro de 2010
A popularidade fabricada de Lula não exime seu governo de suspeitas, tampouco proíbe levantar hipóteses ou realizar denúncias contra a sua administração. Contrariando todos os ditadores e déspotas, a liberdade de expressão é uma arma democrática da qual não se pode abrir mão, e no Brasil não deve ser diferente. Lula, inimigo dessa prerrogativa (quando não o favorece), sustenta o direito à fala exclusivamente no seu discurso jocoso, posto que se furta de toda explicação alegando a ladainha costumeira: ou desconhece os problemas e crimes que o circundam, ou é vítima de traição e golpe . Certas coisas, todavia, transparecem como água para o astuto observador, e acabam por evadir do sistema protetor orquestrado pelos mentirosos profissionais, diretamente aos ouvidos e olhos atentos.
O filósofo José Arthur Giannotti, na edição do dia 05 de setembro de 2009 do programa Canal Livre, analisando o escândalo dos atos secretos no Senado, faz apontamentos dignos de se pensar. Afirmou que o governo Lula submete o Estado aos seus interesses, ou seja, manipula a política nacional e suas instituições conforme lhe aprouver. Lula, na opinião do filósofo, possui a capacidade de representar aquilo que a população quer, e não o melhor para ela, e isso produz uma resignação a aceitar como normal a situação dada de acordo com a conveniência necessária (cria a ilusão da “vida boa como está”). Tal sentimento introduz continuamente a ideia do “rouba mas faz” na mentalidade nacional, e só vem confirmar a democracia denegrida, ancorada sobre favores. Em contrapartida, as alianças partidárias, meros acordos para o exercício de poder sem restrições e ameaças, correm soltas para viabilizar intermináveis politicagens. No caso dos 663 atos secretos do Senado, e os demais surgidos no decorrer das investigações, os senadores do PT, na ocorrência, seguiram o posicionamento de Lula e votaram pelo arquivamento dos processos contra Sarney, amicíssimo do presidente e protegido pela sua amabilidade e complacência. A criminalidade mais uma vez ficou acima da justiça.
Na tentativa de desviar o foco, o governo divulga benfeitorias, como o crescimento da oferta de emprego e os avanços no campo social, mas tais acontecimentos são discutíveis. Primeiro, porque os empregos criados em 2008 no Brasil foram os mais discretos em 10 anos (cerca de 300 mil) e prossegue estagnado. Depois, a superação da pobreza não pode ser medida apenas pela oscilação de quem está empregado – fixo ou temporário – e sim pelas condições efetivamente criadas e mantidas de avanço social, o que não é análogo a distribuir auxílio financeiro provisório. Além do mais, segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), a indigência e miséria nos países latinoamericanos cresceu de 68 milhões para cerce de 71 milhões em 2008, provando que a boa qualidade de vida proporcionada pelos “virtuosos” governos sulamericanos não passa de fachada arquitetada.
De dissimulações, aliás, vive o governo brasileiro. Na esteira dos demais líderes dos países vizinhos, Lula estabelece, cada vez mais, a mentalidade estadista de gerenciar, mentalidade esta a negociar o intervencionismo político por benevolências pouco ou nada profícuas. Este modelo de governabilidade, no parecer de José Fucs, quer identificar povo e Estado como uma só comunidade, pensamento de caráter totalitário (à moda Stalin, Mussolini, Hitler, Fidel Castro e outros estadistas conhecidos) que faz exercer controle estatal livre sobre as atividades econômica, sem estímulo algum ao setor privado. Fucs ainda notifica: as maiores crises brasileiras ocorreram com a intromissão da gestão pública em departamentos que não lhe dizem respeito (ver http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI91533-15223,00-OS+RISCOS+DA+ESTADOLATRIA+PARA+O+FUTURO+DO+BRASIL.html).
Em suma, discretamente o governo, sob o comando de Lula, procura instaurar, à maneira gramsciana, o comunismo no país, com todos os seus ingredientes nocivos dos quais nos envergonhamos, e a história demonstra claramente para quem quiser ver a sua consequência trágica. Um país para prosperar não precisa do comunismo, nem de outra diretriz ideológica que salvaguarde apenas uma pequena parcela de indivíduos, e sim de valores humanos sólidos e solidários, agregadores de corresponsabilidade entre os homens, contra a sociedade desigual e excludente. Somente criando meios seguros e eficazes de inserção de pessoas na vida econômica e social, a impelir a liberdade individual sem desprezar a situação alheia, pode-se conseguir a prosperidade e justiça social tão almejada pelos idealistas e esperançosos. Socializar algo não é semelhante a repartir tudo em comum (coisa que os excelentíssimos políticos nem pensariam em pôr para votação) ou manter os desfavorecidos na dependência de donativos estatais; socializar é tornar sociável oportunidades reais restritas para todos dispostos a mudar de vida. Lula opõe-se ao desenvolvimento humano quando sujeita ao consumo assíduo de benefícios estatais ao invés de oferecer condições estruturais de autonomia econômica. Mas o que esperar de um governo tão contraditório, que por um lado não fez nenhuma reforma necessária para emancipar os cidadãos honestos e dar-lhes recursos próprios de subsistência e crescimento, e ao mesmo tempo permite descaradamente a impunidade, com proteção a condenados e ao banditismo nacional, em Brasília e no restante do território nacional. Pelo visto o povo é o último a ter voz e vez.
Lula comemorou a ausência da direita nas eleições de 2010, prova cabal da sua falta de espírito democrático e respeito pela divergência de pensamento. Se a sua ânsia pelo poder e seu projeto de domínio estão acima de tudo, cabe ao povo, no seu voto, mostrar que deve ser diferente, e nenhum plano com tendência unívoca e pretensiosa pode cercear o direito de contrapor esse preceito inefável. Pense bem, e não decepcione na urna, para a grandeza do Brasil e o bem da democracia.

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