Este blog, criado e dirigido pelo professor Michel Farah Valverde, traz ideias, reflexões e demais informações referentes à filosofia, política, artes e educação. É destinado a todos os interessados, em especial aos jovens, estudantes ou não. Os textos publicados pelo autor podem ser usados, com a condição de que seja citada a fonte.







quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Breves comentários sobre o “maravilhoso” governo Lula ( I )


Publicado no Jornal Diário de Sorocaba, em 13 de janeiro de 2010

O ano de 2010 reserva inúmeras mudanças para o povo brasileiro, e muitas delas serão provocadas e outorgadas no cenário político, com ou sem a participação popular no sentido pleno dessa ação, ou seja, livre de quaisquer formulações alheias ao seu exercício consciente.

Caminhando para o fim do segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em declarações e propagandas nos meios de comunicação, gaba-se de ser responsável pela copiosa prosperidade do Brasil no seu governo. Apresenta dados e ações para tentar justificar o êxito completo da sua presidência e capacitar perante a opinião pública – transferindo os méritos que julga merecer - sua possível sucessora, Dilma Rousseff, a ocupar seu lugar a partir de 2011. Tudo seria bom se tal plano de transição não fosse preenchido nos bastidores com mentiras, trapaças e muita cara-de-pau.

A confiança do presidente se dá, em grande medida, pelas últimas pesquisas realizadas no segundo semestre de 2009 em que a popularidade de Lula atinge cerca de 80%, e em torno de 65% está a aprovação popular do governo federal. Esses números podem sinalizar muitas coisas, entre elas as seguintes: 1) O governo do PT, auxiliado pelos aliados, modificou o Brasil a tal ponto que os cidadãos brasileiros, felizes da vida pela súbita melhora extrema de suas finanças, aprova os rumos implantados pelos governantes; 2) Lula lembra um astro de fama internacional, como Michael Jackson, que desperta no povo uma síndrome de identificação compulsória e o desejo veemente de idolatrar a tão estimada figura pública; 3) O governo conseguiu, nestes anos inglórios no poder, manobrar a opinião pública com forte campanha publicitária e programas “sociais” de transformação real questionáveis, apelando para um marketing altamente histriônico e cheio de mentirinhas pouco consideráveis e, por isso mesmo, relegadas rapidamente ao esquecimento. De todas, julga a terceira como provável. A primeira é mentirosa: as pessoas continuam com necessidades, os pobres continuam pobres, e nenhum trabalhador tornou-se isento de dificuldades ou abusos autoritários. A segunda é meia-verdade: Lula não se assemelha a nenhum astro internacional exceto àqueles famosos líderes com os quais mantém amizade “diplomática” como Hugo Chavez, Manuel Zelaya e alguns outros dessa estirpe, apenas acrescido a ele uma imagem piedosa de homem do povo e sofredor vitorioso, machucado pelas artimanhas crueis de ardilosos malfeitores (imagem esta criada a todo o custo para compor a mise-en-scène de Barack Obama).

A terceira é verídica: Lula e a excelente assessoria que o acompanha produziram uma das maiores farsas políticas brasileiras ao ludibriar o povo e privar os eleitores e os demais membros da sociedade das politicagens feitas sob o pano. Os índices levantados pelas pesquisas são fortes mas não qualitativos – em si, garantem a constatação de preferências relativas e não eficiência objetiva. Qualquer um pode se iludir pela tática persuasiva competente, prática essa a assolar a política no ocidente desde a sua fundação. Pensando no todo, tais pesquisas começaram a aparecer na mesma época em que cogitou-se a pretensão do terceiro mandato, e essa hipótese levantada pela situação acentua a tendência mais geral dos governos da América Latina, qual seja, a perpetuação no poder de líderes erigidos por meios pouco ortodoxos, intensificando assim a força estatal. O congresso vetou o novo mandato, embora não seja de se duvidar uma nova investida nesse sentido.

Contudo, embora os marketeiros e intrujões tomem os eleitores como meros fantoches a serem manipulados ao belprazer oligárquico, fatos têm vindo à tona para abrir os olhos de todos os entorpecidos e enganados. Um deles é o investimento bilionário em propaganda para divulgação do governo na grande mídia, conforme informa Júlio Severo, no seu artigo “O preço da elevada popularidade de Lula”, publicado em 12 de junho no site Mídia sem Máscara ( http://www.midiasemmascara.org/ ). Severo notifica que, entre 2003 e 2008, o governo investiu cerca de 6,3 bilhões de reais em publicidade, sendo em torno de 5.297 jornais, revistas, rádios e televisões favorecidos por este empreendimento. A campanha contínua do governo para ludibriar o povo da atuação benfazeja do presidente e sua equipe parece ter funcionado a contento, pois hoje desfrutam de prestígio e simpatia diante do eleitorado persuadido pelo charme dantesco de um homem que se quer mito, direcionamento a muito tomado pelos sortilégios esquerdistas em escala mundial. Verídico, por trás desse país maravilha, continuam os ataques contra os valores fundamentais preservados pela maioria da sociedade ao estimular sorrateiramente a liberalização do aborto; por permitir o apoio à descriminalização da maconha por autoridades em exercício; pela omissão diante dos esquemas de corrupção vigorantes no Congresso e na sociedade; pelo desprezo para com a oposição e todos os comentários contrários ao seus planos, com especial desafeto quando vindos pela imprensa (sobre isso, ver apontamentos de Alberto Dines em http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/alberto_dines/2009/10/23/pavor+de+fiscais+8921047.html) ) entre outras afrontas ditas e insinuadas nestes quase oito anos de desfrute no poder.

De mentiras em mentiras se faz um presidente, o “filho maravilha” da nação brasileira. Porém, toda mentira, mais dia ou menos dia, acaba sendo desmascarada, e essa ocasião não tarda a chegar – assim esperam os homens e mulheres de bem.

1 comentários:

Luiz Esparrachiari disse...

Sempre me surpreendo com os seus textos. Eu adorei! Talvez eu estivesse um pouco embriagado pela excessiva mídia da máquina governamental, mas o seu texto foi um tapa na minha cara pra acordar e parar de degringolar a nossa política sendo um mal cidadão.